O PARTO
- Quem está aí?
Há alguém vindo...
Alguém trazendo um Espelho na mão, apontando-o em minha direção...
Mas, nada vejo.
Angústia. Suspiro. Medo do não ver.
Do não saber, me enfraquecer.
Impaciência no aguardar...
O que será? (que eu esqueci...)
O Espelho está Vivo.
Se mexe, se move, lembrando algo ao meu corpo paralisado.
Quem o traz cheira a Prenúncio do parto que virá
E que eu terei de fazer em mim novamente.
Sinto as contrações...
Há teias de Aranha ao meu redor:
As pequenas senhoras tecem em Silêncio
Os fios transparentes da Sabedoria.
De onde estão, devem estar vendo a inquietude que transbordo,
com o ignorar sincero de quem já passou desta fase.
Quem traz o Espelho é apenas Mensageiro
Não é sua função ficar...
Vai embora tão depressa, sem nem ver o que virá...
Quanto a mim, permaneço,
Invisível para o mundo, invisível no reflexo
Prestes a dar Luz neste segundo complexo
Onde tudo é ruína da Torre
Do que eu conhecia e ficou pra trás...
Finalizo como comecei:
- Há alguém aí... que está se parindo de novo também?
Em Solidão,
Brunna.

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